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CARTA A UM JOVEM PRÉ UNIVERSITÁRIO

A ESCOLHA DA PROFISSÃO

É claro que a escolha da profissão é uma das coisas mais importantes de nossa vida, pois ela vai determinar muitas vezes, a nossa própria felicidade pessoal.

É bem verdade que o ser humano realiza-se em diversos planos: no plano profissional, já citado; no plano físico, com sua saúde e aparência pessoal impecáveis; no plano afetivo, neste apenas em outro ser, como seria natural; no plano espiritual, respondendo às perguntas: Quem sou eu? De onde vim? Por que vim? E, finalmente, para onde vou? Neste plano espiritual você só se realiza sozinho, nas suas leituras específicas, mas sobretudo nas suas reflexões e meditações. No plano intelectual que eu deixei para o último, porém não derradeiro lugar, você só se realiza com seus estudos e suas leituras, com seu enriquecimento mental. Os autodidatas, como outrora eram muito encontradiços, não precisam frequentar cursos ou faculdades; hoje, porém, é diferente, sem que se despreze os estudos e as leituras é claro, pois as Faculdades, a meu ver, servem, principalmente, para mostrar a você o universo de coisas que você não sabe, mas que deveria saber; enfim para abrir seus olhos para o tamanho da sua ignorância; “só sei que nada sei! ”, dando-lhe motivação para o estudo.

Neste plano, no intelectual, situam-se todos os seus pendores que vão servir de matéria prima para sua realização profissional, inclusive, é claro, os pendores artísticos.

Os dotes inatos, as qualidades das pessoas, podem e devem ser decididamente desenvolvidas e canalizadas para uma das profissões existentes, formais ou não formais, não importa.

 Uma canalização bem-feita, bem direcionada destes pendores, vai redundar na escolha certa da profissão. Com a opção certa, virá a felicidade pessoal, a realização profissional, a vaidade profissional satisfeita e o sentimento de poder ser útil às demais pessoas, através da sua profissão, o que o gratificará bastante, independentemente da remuneração pecuniária que você receba.

Com o sucesso na profissão virá, também, como corolário, a realização no campo material, que lhe dará os meios de usufruir dos prazeres materiais da vida e recursos financeiros para você investir mais na sua própria profissão, melhorando, sempre e cada vez mais, sua performance através de viagens, congressos, apresentações públicas, etc, etc.

Dar-lhe-á tranquilidade inclusive para você poder refletir melhor sobre sua vida (plano espiritual) e para poder proporcionar todo o conforto material para aquela pessoa a qual você escolheu para viver junto consigo (realização no plano afetivo). Veja, pois, como, apesar de secundária, a realização no campo material é muito importante; não é suficiente é claro, mas é indispensável, tal qual o sentimento do amor no casamento, pois quem tem fome não pode filosofar, tem que conseguir, primeiro, dinheiro para alimentar-se, ter uma casa em um local digno e aprazível; roupas para vestir, enfim, como eu costumo dizer, ter as dificuldades práticas da vida todas resolvidas.

A realização no plano intelectual, com a escolha certa da profissão, portanto, agora, também no campo profissional e, depois, no material, como o exposto acima, não é fácil.

Por exemplo: se você quer ser rico, ter bastante conforto material e gosta de lidar e orientar pessoas, jamais poderá escolher a profissão de sacerdote, os quais, geralmente, fazem voto de pobreza pessoal.

Assim, a primeira coisa que você deve fazer é conhecer a si próprio o quanto possível, respondendo às perguntas: quem sou eu? De que “matéria prima” sou feito? Meu coeficiente intelectual é verbal? É especial? Por que? É dado a algarismos? Sou um pesquisador nato? Gosto de lidar com as pessoas? Ou sou um tanto tímido ou extrovertido? Sou ambicioso? Gosto de conforto material? O que me dá maior satisfação intelectual? Mexer com o corpo humano? Com a natureza? Com os animais? Cuidar fisicamente das outras pessoas? Mexer com números? Com algarismos? Com cálculos? Com palavras? Escrever u’a página bonita? Desenhar, pintar? Tocar um instrumento? Qual? De cordas? De percussão? Compor música? Cantar?

Fazer de cada uma destas coisas um pouco? Quais? Sem ser um LEONARDO DA VINCE, quem mexeu com várias ciências ao mesmo tempo; com quais daria para mim lidar, concomitantemente, sem prejuízo de nenhuma delas?

E meu lazer como fica? Será que eu terei que trabalhar no que talvez não goste tanto e dedicar-me ao que gosto muito só nas horas do lazer?

E a prática regular de um esporte ou exercício físico como fica? Que faculdade eu vou cursar? Será que eu já escolhi certo ou terei, ainda, que fazer uma troca. Veja quantas indagações.

Todavia, não fique angustiado.  Um teste vocacional ajudaria muito, aclarando os horizontes.

 

Você ainda é muito jovem. Não se afobe. Ah! Meus dezoito anos. Quantas angustias, quantas incertezas! Porém, quantos belos sonhos, quanta energia e vontade de viver e de acertar!

Você não se deve deixar desmotivar com escolhas ainda não precisamente certas. Mas deve ser firme na vontade de acertar e ter “saco” para aguentar aquilo que você está experimentando sem saber, ainda, se você gosta mesmo ou não.

Seja como for, a realização profissional, tendo por detrás todos estes fatores intrínsecos, muito importantes possui outros extrínsecos ligados a economia do país em que cada um de nós vive, por exemplo e às oportunidades de trabalho que nos são

oferecidas dentro das atividades ou profissões escolhidas. No Brasil, além das vagas de trabalho serem muito poucas, infelizmente, campeia, cada vez mais a desonestidade, o regime do pistolão, do paternalismo, das pessoas que ganham muito além do que fazem ou mereceriam; os marajás.

Ainda, assim, como a economia brasileira não está, por enquanto, estratificada, o melhor para você será realizar-se, profissionalmente, por aqui mesmo do que, por exemplo, na Europa, onde não se briga mais na profissão escolhida pela eficiência, mas pela excelência; onde quase todas as oportunidades já estão preenchidas e você é sempre obrigado a deslocar alguém da arena, como em uma luta de sumô, simplesmente para ter um lugar ao sol.

Portanto, os fatores extrínsecos, conquanto situados inicialmente em um plano secundário, não devemos descuidar de sua importância, pois refletem-se, diretamente, no material, que por sua vez reflete-se em cadeia, para trás, no profissional, no intelectual, e até no afetivo, pois dizem que “quando a necessidade bate na porta, o amor do casal foge pela janela”. É algo, pois, a ser pensado.

Outra coisa, são as profissões que já existem como a engenharia, a arquitetura, o direito, a medicina, a economia, etc, etc que em um país de bacharéis, como o nosso, por si só já conferem um certo status. Só que se você estiver errado em uma qualquer delas, o status da profissão não vai lhe adiantar nada.

 Felizmente, quando não se precisa arranjar um emprego qualquer para poder se sustentar, enquanto estuda; conseguir um trabalho as vezes até odiado em princípio, como muitos brasileiros, se não, aliás, a quase totalidade, tudo fluirá melhor. Todavia, trabalho é trabalho; é meio de vida e, como tal, deve ser encarado e com todo o respeito, seja qual for, desde digno e lícito.

Você pode seguir tranqüilo, dedicando-se integralmente aos seus estudos para já vir brigando pela excelência, aqui ou no exterior, enquanto outros ainda brigam por uma formação qualquer, pois para você talvez venha a ser, até, mais difícil do que foi antes, já que a sociedade brasileira vem se sofisticando, cada vez mais.

Resumindo, eu penso que, se estou lidando com a matéria prima de que sou feito, posso, perfeitamente, dedicar-me a mais de uma atividade.

Aquela que, sem me violentar, dar-me-á a realização profissional e material e a que será o meu lazer, conferindo-me higiene mental para que eu possa trabalhar cada vez mais e melhor, porque “ninguém é de ferro”.

Mesmo que você só faça, exclusivamente, aquilo que você goste, para superar-se a si próprio e, sobretudo, ao seu concorrente, você tem que se dedicar à sua profissão com todo o empenho, praticando, sei lá, até oito, dez horas por dia.

Veja o que disse o RICARDO PRADO, nosso az da natação; “Durante minha vida vi mais vezes a lista negra do fundo da piscina do que qualquer outra coisa. ”

Muitas vezes o lazer transforma-se no meio mais rendoso do que a própria

profissão escolhida e você deixa até a sua carreira formal para dedicar-se, exclusivamente, ao seu lazer, agora tornado profissão.

Mas não se iluda, transformando o lazer em profissão vai ter que entrar na rotina do treinamento, do aperfeiçoamento, do labor diário, como qualquer outra profissão.

Jovem, pré-universitário!

Espero que estas minhas reflexões o ajudem a pensar e a decidir bem sua vida. Nada aqui é definitivo. Quem sou eu para ser dono da verdade. Sou, apenas, mais velho, mais vivido e, portanto, mais experiente, e quem enxerga o horizonte para além do cume da montanha, onde está situada a metade da nossa via, e que os jovens ainda não podem enxergar porque ainda estão galgando o sopé do monte.

Vacile enquanto você ainda pode, mas não desista nunca e lembre-se de que o tempo passa muito rápido.

 

Prof. pós Doc Luiz Felizardo Barroso – PhD.

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